Pesquisas
Na pesquisa Estado de Latência | superfícies em suspensão (2026), as tapeçarias surgem a partir de um levantamento visual de borboletas, principalmente espécies presentes no Cerrado. Suas estruturas, padrões e superfícies operam como referência para as obras, onde a trama têxtil é compreendida simbolicamente como pele.
A pesquisa investiga relações entre transformação, suspensão e permanência, aproximando a imagem da crisálida da paisagem do Cerrado durante o período de seca. A crisálida é entendida como um corpo em estado de transição silenciosa — uma estrutura aparentemente imóvel, mas atravessada por processos internos de metamorfose.
Essa condição se aproxima da terra seca do Cerrado, marcada por rachaduras, rigidez e aparência de esgotamento. No entanto, sob a superfície árida, permanecem raízes vivas, sementes dormentes e sistemas subterrâneos em espera. Assim como a borboleta emerge do casulo, o Cerrado refloresce após a seca.
As obras transitam entre o abstrato e o figurativo, transformando padrões naturais, fissuras e estruturas orgânicas em superfícies têxteis que investigam tempo, matéria, memória e transformação.
Entre Tramas e o Tempo (2025) investiga as relações entre passado, presente e futuro. Criada para o ambiente da arquiteta Luisa Macedo na Casa Cor Goiás 2025, a obra reflete sobre os caminhos que se cruzam, os ciclos que se repetem e os vínculos construídos ao longo do tempo.
A tapeçaria também marca um reencontro. Em 2019, Luisa foi a primeira arquiteta a incluir um trabalho manual meu em um projeto, antes mesmo do início da minha pesquisa em tecelagem. Anos depois, nos encontramos novamente em um momento de estreia para ambos na mostra.
Após sua apresentação na Casa Cor Goiás 2025, a obra passou a integrar o acervo da Presidência da República, onde permanece em exibição no Palácio do Planalto.
Iconografia do Sagrado (2024) investiga símbolos de fé, proteção e devoção presentes no imaginário popular mexicano. Olhos místicos, corações votivos, milagritos e ex-votos são reinterpretados em composições que transitam entre objeto ritual e arte contemporânea.
A série propõe uma reflexão sobre a permanência do sagrado na cultura popular e sobre a necessidade humana de criar símbolos para proteção, afeto e transcendência.
Mesmo tendo conhecido Alto Paraíso de Goiás apenas em 2026, a investigação poética sobre a região da Chapada dos Veadeiros teve início em 2023, a partir de um imaginário construído por referências naturais, energéticas e simbólicas do território.
A pesquisa se desdobra em tapeçarias que evocam elementos marcantes da paisagem local, como os cristais, a água, o verde intenso das reservas, o sol poente e os céus observados a partir dos mirantes, traduzidos em composições têxteis abstratas que atravessam memória, contemplação e espiritualidade.